Tem dias que a gente não consegue, simplesmente não consegue conter a dor, daí ela transborda pelos olhos, suor, e expirando a cada respiração ofegante ou aquelas lentinhas por debaixo do chuveiro. Hoje é um deles.
É tanta frustração, e dor acumulada, porque as vezes eu só fecho os olhos pra tudo o que me acontece, cada angustia, derrota, ou traição. Só me mantenho em pé e acredito que nada disso pode me abalar, mas tudo me abala, me derruba com tanta força que eu nem ao menos percebo que caí até me ver no chão. Rápido demais, forte demais (forte demais!).
Eu passei tanto tempo da minha vida só falando e falando, e cuspindo e cuspindo e criticando tudo e todos, não deixei nada passar, só fiquei daqui de baixo olhando e comentando, tentando fazer com que isso me trouxesse um pouco mais pra cima, ou arrastasse mais perto da poça onde estive. Eu dediquei tanto tempo a fazer o mal e no fim eu só fiz isso pra mim mesmo, eu mesmo me emburrei até o fundo do meu poço e acho que em alguns momentos eu fiz questão de cavar um pouco mais.
Eu decidi ser melhor, não sou bom, mas sou melhor. Quem me conheceu a mais de 2 anos sabe que não sou igual. Decidi ser mais forte por mim mesmo, e pelos meus amigos, pelo meu bem, pela minha saúde. Mas as vezes é tão difícil lidar com a dor, é tão doloroso e difícil me manter forte, é tão difícil lidar com minha doença e só fingir que nada esta acontecendo, fingir que estou bem e forte. Eu só queria me amar, e ser amado exatamente como sou. É real?
Eu quero ser amado, e peço perdão por toda dor que causei, eu quero me amar tbm, incondicionalmente meus amigos, sem nenhum medo, meu namorado (um dia, mantenha a fé vitinho). Como?
Eu não quero causar mais medo a minha familia tbm, eles dedicaram tanto tempo e esforço e dinheiro pra que eu me cuide e eu me trate, e eu não consigo, me sinto tão fraco por estar onde estou, como se eu nunca fosse superar, ou como se eu nunca fosse crescer pq eu...? Algumas vezes sinto como se eu nunca fosse conseguir, nunca florescer. É tão difícil.
E a cada tombo, cada tropeço, meu deus; a cada traição o sentimento de queda, de voltar pro fundo da minha dor. Eu não sou realmente bom o suficiente? Eu sou tão lixo assim? Eu quero voltar pro topo, eu não acho q mereça tanta dor assim. Será? Não, que nada.
Continue forte, mesmo com todas as recaídas, permaneça bravo. Você sabe por tudo que passou, quantas noites acordado, sem nunca fazer besteira, não é porque você se sente menor que você realmente seja, no fundo você sabe disso, eu sei.
go way, menino do couro, va limpar seus olhos. e coma alguma coisa, você certamente esta com fome.
Retalhos de Vidas
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
domingo, 11 de agosto de 2013
talvez próxima semana
A cerveja escorria gelada na minha garganta, seu corpo por sua vez apertava o meu, quente.
Sentia sua respiração em meu ouvido, alto, forte e quente também. Pedia meu amor, meu ser, minha alma, pedia tudo sem usar uma palavra. Podia sentir sua necessidade de mim só pelo seu olhar, e era grande.
Eu entrava e saia de você, com tanta facilidade como se não houvessem portas, ou barreiras. Você continuava inerte, só respirando e pedindo que eu ficasse "seja meu, fique pra mim", sua respiração dizia.
Lamento.
Seu corpo continua sendo meu brinquedo, e eu continuo sendo a mesma criança que fui a uma semana atrás, da última vez que seu corpo esteve junto do meu. Aproveite o momento, sem sentimentalismo, goze pra mim. Grite com toda sutileza que só você sabe fazer. Aproveite o momento, por que de manhã eu vou embora. Talvez semana que vem eu apareça, eu mande uma mensagem, e marque um filme. Só não me peça que eu fique. Eu continuo sendo o mesmo lixo. É dessa dor que você se alimenta, e é você quem eu como.
Sentia sua respiração em meu ouvido, alto, forte e quente também. Pedia meu amor, meu ser, minha alma, pedia tudo sem usar uma palavra. Podia sentir sua necessidade de mim só pelo seu olhar, e era grande.
Eu entrava e saia de você, com tanta facilidade como se não houvessem portas, ou barreiras. Você continuava inerte, só respirando e pedindo que eu ficasse "seja meu, fique pra mim", sua respiração dizia.
Lamento.
Seu corpo continua sendo meu brinquedo, e eu continuo sendo a mesma criança que fui a uma semana atrás, da última vez que seu corpo esteve junto do meu. Aproveite o momento, sem sentimentalismo, goze pra mim. Grite com toda sutileza que só você sabe fazer. Aproveite o momento, por que de manhã eu vou embora. Talvez semana que vem eu apareça, eu mande uma mensagem, e marque um filme. Só não me peça que eu fique. Eu continuo sendo o mesmo lixo. É dessa dor que você se alimenta, e é você quem eu como.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
prazer, sua.
É engraçado a forma como não consigo me livrar de toda a dor. Como não consigo me conter ao ver seu rosto ou até mesmo parar de vê-lo em todos os cantos. Mesmo com toda a dor, mesmo com todas as feridas abertas, sinto que é melhor que arda do que vê-las cicatrizar. Todas elas foram causadas por um motivo, por um amor que recuso a tirar de mim.
Eu sei que você tem outra. E quem não tem? Posso aceita-lá se for preciso para que você me aceite. Não posso perder o calor que seus braços me dão, e eles são tão bons que chego a pensar o quão seria egoísta não compartilhar-lo. Dê-se as outras, mas não se retire de mim. Eu escolho a dor do seu calor, o sufocamento de suas mentiras e a insipidez de sua indiferença.
Eu quero te admirar, te exibir, te arranhar. Construir um mundo onde nada irá me atingir além de você. A dor será única e particular. Eu sei que não existem fadas, você é o que eu tenho e o que eu quero. Continue me ferrando como só você sabe fazer. Foda-me como as suas putas.
Do meu corpo você já conhece, das minhas fraquezas. Estive nua e aberta pra você, e quem mais poderia me preencher como você fez? Não tenha medo de me machucar, apenas permaneça dentro.
Eu não quero ter que amar outra pessoa e sentir toda dor novamente por um estranho.
Eu sei que você tem outra. E quem não tem? Posso aceita-lá se for preciso para que você me aceite. Não posso perder o calor que seus braços me dão, e eles são tão bons que chego a pensar o quão seria egoísta não compartilhar-lo. Dê-se as outras, mas não se retire de mim. Eu escolho a dor do seu calor, o sufocamento de suas mentiras e a insipidez de sua indiferença.
Eu quero te admirar, te exibir, te arranhar. Construir um mundo onde nada irá me atingir além de você. A dor será única e particular. Eu sei que não existem fadas, você é o que eu tenho e o que eu quero. Continue me ferrando como só você sabe fazer. Foda-me como as suas putas.
Do meu corpo você já conhece, das minhas fraquezas. Estive nua e aberta pra você, e quem mais poderia me preencher como você fez? Não tenha medo de me machucar, apenas permaneça dentro.
Eu não quero ter que amar outra pessoa e sentir toda dor novamente por um estranho.
domingo, 16 de setembro de 2012
Partida
Trilhei o caminho errado, fiz más escolhas algumas vezes, uma ou duas. Mas de todas as dores, eu sei agora qual dói mais.
Eu te deixei ir, te deixei partida, sangrando consigo mesma sem nenhum apoio e nem mapa de como voltar pra casa. Te abandonei no meio de uma estrada de dúvidas em que nada fazia sentido pra você, e tudo era medo pra mim.
Foram mentiras, foram perversidades que nos afastaram. Eu te amava, você me amava, eles armaram para nós, eles nos separaram e eu acreditei nas pessoas erradas. Eu te amo, você não mais.
Se eu pudesse voltar no tempo, se eu pudesse refazer tudo de uma forma diferente, será que você estaria aqui agora? Talvez você fosse minha, talvez você fosse uma pessoa melhor. Talvez eu fosse uma pessoa mais feliz.
Talvez eu não precisasse chorar, talvez e não precisasse morrer.
Descobri as verdades, você era toda minha; se perfumava com jasmim e vestia seu vestido de lua, o mais lindo do mundo que era nada mais que seu corpo em pele, sem nada por cima. Branca, da cor da lua. Seus cabelos dançavam no vento, escondiam seu sorriso amarelo de quando você me via indo ao seu encontro com um sorriso maior ainda. Você era toda minha e eu era todo dúvidas. Cometi o pior erro, te deixei partida dentro de si mesma, sem nem ao menos saber por que te deixei.
Te vejo passar, sorrindo, de mãos dadas com a felicidade. Te vejo passar, de mãos dadas com a liberdade, só não esta de mãos dadas comigo, só não quer segurar as mãos do meu amor mais uma vez.
Te vejo passar e me ignorar, não me da uma palavra e nem responde as minhas. Se mil vezes pudesse morrer, essa dor me seria menor que sofrer.
Te vejo passar, te vejo ir, e ir...
E eu também vou, abraçado com a dor, abraçado com a sombra, com a cor do nada, com o seco da garganta. Eu vou e te deixo ir, feliz em me ver cair. Eu vou, morrendo, morrendo e fim.
Eu te deixei ir, te deixei partida, sangrando consigo mesma sem nenhum apoio e nem mapa de como voltar pra casa. Te abandonei no meio de uma estrada de dúvidas em que nada fazia sentido pra você, e tudo era medo pra mim.
Foram mentiras, foram perversidades que nos afastaram. Eu te amava, você me amava, eles armaram para nós, eles nos separaram e eu acreditei nas pessoas erradas. Eu te amo, você não mais.
Se eu pudesse voltar no tempo, se eu pudesse refazer tudo de uma forma diferente, será que você estaria aqui agora? Talvez você fosse minha, talvez você fosse uma pessoa melhor. Talvez eu fosse uma pessoa mais feliz.
Talvez eu não precisasse chorar, talvez e não precisasse morrer.
Descobri as verdades, você era toda minha; se perfumava com jasmim e vestia seu vestido de lua, o mais lindo do mundo que era nada mais que seu corpo em pele, sem nada por cima. Branca, da cor da lua. Seus cabelos dançavam no vento, escondiam seu sorriso amarelo de quando você me via indo ao seu encontro com um sorriso maior ainda. Você era toda minha e eu era todo dúvidas. Cometi o pior erro, te deixei partida dentro de si mesma, sem nem ao menos saber por que te deixei.
Te vejo passar, sorrindo, de mãos dadas com a felicidade. Te vejo passar, de mãos dadas com a liberdade, só não esta de mãos dadas comigo, só não quer segurar as mãos do meu amor mais uma vez.
Te vejo passar e me ignorar, não me da uma palavra e nem responde as minhas. Se mil vezes pudesse morrer, essa dor me seria menor que sofrer.
Te vejo passar, te vejo ir, e ir...
E eu também vou, abraçado com a dor, abraçado com a sombra, com a cor do nada, com o seco da garganta. Eu vou e te deixo ir, feliz em me ver cair. Eu vou, morrendo, morrendo e fim.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Cartas de deus.
Eu não sei as respostas de tudo. Engana-se aquele que vem me pedir respostas sobre a vida, sobre os números da loteria, ou sobre por que o mundo esta em guerra.
Eu criei os homens, eu os amei, eu lhes dei tudo. Foram vocês quem fizeram a merda, então são vocês quem deveriam saber o que vai acontecer amanhã.
Eu até tenho meus meios de facilitar tudo pra vocês, mas tenho preguiça. Me custaria 15 ou 20 minutos do meu dia, e aqui em outros planetas e planos existem seres mais puros precisando de mim. O problema da Terra agora pertence só a vocês. Foram vocês que fracassaram comigo.
Mentiram em meu nome, mataram em meu nome, criaram uma historia pra mim. Eu só queria ser sentido, e amado assim como amo vocês. E vocês me inventaram a bíblia, o alcorão e outras historias absurdas. Nunca pedi que criassem guerras, nunca pedi que escravizassem, nunca em toda minha infinita vida afoguei vocês ai de baixo. Que porra vocês pintaram sobre mim? Vocês acham que sou um puto assim? Eu sou seu Deus! Eu só quero ver sorrisos. Nunca pedi a ninguém que sacrificasse seu filho pra mim só por teste de fidelidade.
Eu criei o amor, as famílias, os animais e as doenças até (só o resfriado e a dor de cabeça, uma piada), mas a maioria foram vocês.
Vocês criaram o erro.
Só pedi que se amassem, e vocês esqueceram de repassar o recado.
Mas havia no meio de tudo um ser que mesmo em 22 anos de loucura no meio dessa terra corrompida ainda se mantinha pura, e era só por esse que eu ainda passava pela Terra as vezes. Em um dia especial, ele me pediu as respostas para as essências de cada um, e por que essas essências nunca eram aceitas. Eu dei. Uma das respostas que tenho. Eu dei, mas ao mesmo tempo vi que ele não merecia aquele lugar, com aquelas pessoas. Até os animais não eram mais lindos como outrora fora. Então eu o levei.
Segurei sua alma em meu colo e agarrei sua essência com minha boca. E o carreguei dali, para um lugar melhor, onde as coisas funcionaram e os seres se mantinham fieis ao amor.
Acharam o corpo dele... Impossível não rir. Esses humanos são tão ruins, que veem mal em todo lugar.
Até hoje procuram o assassino.
Eu criei os homens, eu os amei, eu lhes dei tudo. Foram vocês quem fizeram a merda, então são vocês quem deveriam saber o que vai acontecer amanhã.
Eu até tenho meus meios de facilitar tudo pra vocês, mas tenho preguiça. Me custaria 15 ou 20 minutos do meu dia, e aqui em outros planetas e planos existem seres mais puros precisando de mim. O problema da Terra agora pertence só a vocês. Foram vocês que fracassaram comigo.
Mentiram em meu nome, mataram em meu nome, criaram uma historia pra mim. Eu só queria ser sentido, e amado assim como amo vocês. E vocês me inventaram a bíblia, o alcorão e outras historias absurdas. Nunca pedi que criassem guerras, nunca pedi que escravizassem, nunca em toda minha infinita vida afoguei vocês ai de baixo. Que porra vocês pintaram sobre mim? Vocês acham que sou um puto assim? Eu sou seu Deus! Eu só quero ver sorrisos. Nunca pedi a ninguém que sacrificasse seu filho pra mim só por teste de fidelidade.
Eu criei o amor, as famílias, os animais e as doenças até (só o resfriado e a dor de cabeça, uma piada), mas a maioria foram vocês.
Vocês criaram o erro.
Só pedi que se amassem, e vocês esqueceram de repassar o recado.
Mas havia no meio de tudo um ser que mesmo em 22 anos de loucura no meio dessa terra corrompida ainda se mantinha pura, e era só por esse que eu ainda passava pela Terra as vezes. Em um dia especial, ele me pediu as respostas para as essências de cada um, e por que essas essências nunca eram aceitas. Eu dei. Uma das respostas que tenho. Eu dei, mas ao mesmo tempo vi que ele não merecia aquele lugar, com aquelas pessoas. Até os animais não eram mais lindos como outrora fora. Então eu o levei.
Segurei sua alma em meu colo e agarrei sua essência com minha boca. E o carreguei dali, para um lugar melhor, onde as coisas funcionaram e os seres se mantinham fieis ao amor.
Acharam o corpo dele... Impossível não rir. Esses humanos são tão ruins, que veem mal em todo lugar.
Até hoje procuram o assassino.
Revelação
Tudo parecia se encaixar. Tudo parecia certo.
Mas a verdade é que no meio de tanta aparência, dentro de cada um de nós havia toda a bagunça que tínhamos medo de mostrar, por que nossa bagunça era bagunçada demais até pra nós mesmos. E quando víamos alguém que tinha coragem de expor sua bagunça, essa pessoa não era aceita. Por mais que a bagunça dela fosse exatamente semelhante a nossa bagunça, tínhamos que crucifica-lo. Por que em 2000 e tantos anos, sempre foi passado de pai pra filho; nossa bagunça não deve ser revelada. Nossa sociedade criou sobre o chão do planeta Terra uma aparência de organização que não aceita a desordem dos outros.
Alguma coisa tinha que reverter isso. Alguma coisa tinha que ser feito.
Então eu pensei. Pensei em minha bagunça pessoal, e na nossa bagunça compartilhada que parecia estar organizada. Pensei no menino que vi ser humilhado por mostrar sua desordem orgulhosamente.
Conversei com deus e perguntei por que tanta coisa fora do lugar dentro de nós, de uma forma que não cabia. Não cabia a não podíamos por pra fora... E ele me respondeu! E tudo se encaixou, a resposta estava ali. Eu sabia o que fazer e era tão simples. Eu ia mudar o mundo, ele seria lindo. Um mundo bagunçado, em completa desordem. Todos poderiam exibir com muito orgulho suas coisas fora do lugar.
Eu sabia a resposta, agora é só espalhar. Era tão simples.
No momento em que me levantei e puxei todo o ar para gritar a resposta, eu morri. Morri calado. Morri liberto, e minha bagunça saiu do meu corpo, assim como minha alma, e voou comigo. Bagunçamos tudo dentro de mim, do lado de fora.
Mas a verdade é que no meio de tanta aparência, dentro de cada um de nós havia toda a bagunça que tínhamos medo de mostrar, por que nossa bagunça era bagunçada demais até pra nós mesmos. E quando víamos alguém que tinha coragem de expor sua bagunça, essa pessoa não era aceita. Por mais que a bagunça dela fosse exatamente semelhante a nossa bagunça, tínhamos que crucifica-lo. Por que em 2000 e tantos anos, sempre foi passado de pai pra filho; nossa bagunça não deve ser revelada. Nossa sociedade criou sobre o chão do planeta Terra uma aparência de organização que não aceita a desordem dos outros.
Alguma coisa tinha que reverter isso. Alguma coisa tinha que ser feito.
Então eu pensei. Pensei em minha bagunça pessoal, e na nossa bagunça compartilhada que parecia estar organizada. Pensei no menino que vi ser humilhado por mostrar sua desordem orgulhosamente.
Conversei com deus e perguntei por que tanta coisa fora do lugar dentro de nós, de uma forma que não cabia. Não cabia a não podíamos por pra fora... E ele me respondeu! E tudo se encaixou, a resposta estava ali. Eu sabia o que fazer e era tão simples. Eu ia mudar o mundo, ele seria lindo. Um mundo bagunçado, em completa desordem. Todos poderiam exibir com muito orgulho suas coisas fora do lugar.
Eu sabia a resposta, agora é só espalhar. Era tão simples.
No momento em que me levantei e puxei todo o ar para gritar a resposta, eu morri. Morri calado. Morri liberto, e minha bagunça saiu do meu corpo, assim como minha alma, e voou comigo. Bagunçamos tudo dentro de mim, do lado de fora.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Abandono
A garganta doía, doía de verdade (não é uma metáfora); como quando tomamos um peteleco na garganta, mas era muito pior. A pele apertada rangendo contra a corda, ferindo. Minha pele ficava roxa, minhas pernas de debatiam e meu corpo lutava desesperadamente por uma salvação. Meu corpo provavelmente não sabia o que estava guardado em minha mente e nem o que doía em meu coração, meu corpo não sabia que na verdade aquela era a minha salvação.
Estou cansada, estou farta de sofrer, de ser julgada, de ser humilhada. Meu cabelo avermelhado que papai e mamãe me deu, minhas sardas que ardem no sol, minha pele pálida, meus dentes separados, meu sorriso constrangido. Tudo isso, sempre foi motivo de piada. Nunca fui aceita, nunca tive amigos de verdade. Você leitor, amigável, provavelmente não sabe qual é a sensação de passar 16 anos de sua vida tendo apenas sua mãe e vez por outra o seu pai pra conversar, pra rir, pra falar bobagem. 16 anos sem nunca ter sido convidada a uma festa e passar os sábados a noite em casa lendo sobre a rejeição, lendo sobre superação, lendo sobre cordas e como fazer uma forca. É amadora, mas funcionou muito bem... Eu devia ter acolchoado-a... Não queria sentir mais dor, queria que minha morte fosse calma e indolor. Eu já senti dor demais minha vida toda. Só quero descansar do lado de deus e poder perguntar "eu tenho certeza papai, você não queria que nada disso fosse assim não é mesmo?". No céu tem pessoas boas, será que terei algum amigo finalmente?
Foram 16 anos, entrando na escola, sentando-me sozinha, indo embora sozinha. Limitando-me a responder apenas o que me era perguntado e quando era devido, pois já fui tão renegada que até mesmo responder e falar em voz alta me constrangia. Depois de tudo, só queria estar no canto, sem falar pra não ser notada. Por que minha identidade era tão insignificante que quando eu era notada, era alvo de palavras sacanas, ríspidas, sujas. Para eles era engraçado. Em mim doía... Cada palavra, sílaba, letra me atingia feito uma faca e perfurava minha pele, minha carne; meu orgulho.
Eu só desejo que todos eles encontrem tudo o que eu encontrei; desespero. Quero vê-los lá de cima agora, sofrendo e chorando nos cantos de suas casas, com culpa e com ódio por serem tão nojentos e repugnantes. Quero ver lágrimas, quero ver o sangue escorrendo do pulso da Isabela, quero ver a bala atravessando a boca do Lucas, quero sorrir com a boca da Ana espumando em uma overdose após tomar todos os remédios da drogada de sua mãe. Eu quero ver a morte, o sangue, a dor física, por que a dor emocional que eu carreguei todo esse tempo iria se demorar muito para conseguir, e eu não aguento mais essa impunidade! Quero ver, todos mortos, e vou rir e observar todos queimando no inferno, como brasa.
Mas agora é a hora, já estou vendo o fim daqui de dentro do meu guarda roupa. Agora eu já vou. Já ouvi um estalo de um osso quebrando em meu pescoço e como por mágica, minhas pernas pararam, meus braços pararam de funcionar. A morte esta vindo.
Vida e morte é escolha de seu dono. Eu escolhi isso. Não queria, mas é a única saída que tenho agora.
Com amor; ruiva.
Estou cansada, estou farta de sofrer, de ser julgada, de ser humilhada. Meu cabelo avermelhado que papai e mamãe me deu, minhas sardas que ardem no sol, minha pele pálida, meus dentes separados, meu sorriso constrangido. Tudo isso, sempre foi motivo de piada. Nunca fui aceita, nunca tive amigos de verdade. Você leitor, amigável, provavelmente não sabe qual é a sensação de passar 16 anos de sua vida tendo apenas sua mãe e vez por outra o seu pai pra conversar, pra rir, pra falar bobagem. 16 anos sem nunca ter sido convidada a uma festa e passar os sábados a noite em casa lendo sobre a rejeição, lendo sobre superação, lendo sobre cordas e como fazer uma forca. É amadora, mas funcionou muito bem... Eu devia ter acolchoado-a... Não queria sentir mais dor, queria que minha morte fosse calma e indolor. Eu já senti dor demais minha vida toda. Só quero descansar do lado de deus e poder perguntar "eu tenho certeza papai, você não queria que nada disso fosse assim não é mesmo?". No céu tem pessoas boas, será que terei algum amigo finalmente?
Foram 16 anos, entrando na escola, sentando-me sozinha, indo embora sozinha. Limitando-me a responder apenas o que me era perguntado e quando era devido, pois já fui tão renegada que até mesmo responder e falar em voz alta me constrangia. Depois de tudo, só queria estar no canto, sem falar pra não ser notada. Por que minha identidade era tão insignificante que quando eu era notada, era alvo de palavras sacanas, ríspidas, sujas. Para eles era engraçado. Em mim doía... Cada palavra, sílaba, letra me atingia feito uma faca e perfurava minha pele, minha carne; meu orgulho.
Eu só desejo que todos eles encontrem tudo o que eu encontrei; desespero. Quero vê-los lá de cima agora, sofrendo e chorando nos cantos de suas casas, com culpa e com ódio por serem tão nojentos e repugnantes. Quero ver lágrimas, quero ver o sangue escorrendo do pulso da Isabela, quero ver a bala atravessando a boca do Lucas, quero sorrir com a boca da Ana espumando em uma overdose após tomar todos os remédios da drogada de sua mãe. Eu quero ver a morte, o sangue, a dor física, por que a dor emocional que eu carreguei todo esse tempo iria se demorar muito para conseguir, e eu não aguento mais essa impunidade! Quero ver, todos mortos, e vou rir e observar todos queimando no inferno, como brasa.
Mas agora é a hora, já estou vendo o fim daqui de dentro do meu guarda roupa. Agora eu já vou. Já ouvi um estalo de um osso quebrando em meu pescoço e como por mágica, minhas pernas pararam, meus braços pararam de funcionar. A morte esta vindo.
Vida e morte é escolha de seu dono. Eu escolhi isso. Não queria, mas é a única saída que tenho agora.
Com amor; ruiva.
Assinar:
Postagens (Atom)