Tudo parecia se encaixar. Tudo parecia certo.
Mas a verdade é que no meio de tanta aparência, dentro de cada um de nós havia toda a bagunça que tínhamos medo de mostrar, por que nossa bagunça era bagunçada demais até pra nós mesmos. E quando víamos alguém que tinha coragem de expor sua bagunça, essa pessoa não era aceita. Por mais que a bagunça dela fosse exatamente semelhante a nossa bagunça, tínhamos que crucifica-lo. Por que em 2000 e tantos anos, sempre foi passado de pai pra filho; nossa bagunça não deve ser revelada. Nossa sociedade criou sobre o chão do planeta Terra uma aparência de organização que não aceita a desordem dos outros.
Alguma coisa tinha que reverter isso. Alguma coisa tinha que ser feito.
Então eu pensei. Pensei em minha bagunça pessoal, e na nossa bagunça compartilhada que parecia estar organizada. Pensei no menino que vi ser humilhado por mostrar sua desordem orgulhosamente.
Conversei com deus e perguntei por que tanta coisa fora do lugar dentro de nós, de uma forma que não cabia. Não cabia a não podíamos por pra fora... E ele me respondeu! E tudo se encaixou, a resposta estava ali. Eu sabia o que fazer e era tão simples. Eu ia mudar o mundo, ele seria lindo. Um mundo bagunçado, em completa desordem. Todos poderiam exibir com muito orgulho suas coisas fora do lugar.
Eu sabia a resposta, agora é só espalhar. Era tão simples.
No momento em que me levantei e puxei todo o ar para gritar a resposta, eu morri. Morri calado. Morri liberto, e minha bagunça saiu do meu corpo, assim como minha alma, e voou comigo. Bagunçamos tudo dentro de mim, do lado de fora.
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